Cariad | Yvone

— O prazer é todo meu monsieur Tambay. — aquela era provavelmente a octogésima vez que dizia aquela frase, alterando apenas o sobrenome. Ele largou minha mão que já estava mais que nojenta de tantos beijos dados por cima da luva e afastou-se com um sorriso.

Eu me chamo Yvone Deveux. Esta é (mais) uma festa dada por minha mãe para, como ela descreve, “motivar a interação entre a nobreza”. Temos uma todo dia 1º. Geralmente são sempre as mesmas pessoas que aparecem, mas sempre há alguns desconhecidos. Tenho dezesseis anos, mas odeio comentar isso. Não sei o porquê na verdade, mas toda dama da nobreza odeia então eu também odeio.

Outra coisa que odeio são esses espartilhos que mamãe me obriga a usar. Cristo, como me apertam! Não consigo nem bebericar algo direito pois não há espaço para mais nada debaixo do vestido.

Enquanto meus pensamentos voavam no corpete, um rapaz com cerca de vinte anos se aproximou e curvou-se com sua mão esquerda por trás da cintura. Eu segurei uma ponta do vestido de armação verde e fiz uma rápida reverência também entregando minha mão direita. Deus, como ele era lindo! Olhos verdes, cabelos castanhos bem penteados, uma barba por fazer e um sorriso torto malicioso.

— Muito prazer mademoiselle Deveux, sou Léon Chevalier. — e beijou levemente a luva sem tirar seus olhos dos meus. Senti ali que seus lábios eram macios.

— O prazer é todo meu monsieur Chevalier. — octogésima primeira. Ele endireitou a postura ainda com aquele sorriso provocante e lançou-me uma piscadela. Quase morri. Eu não poderia deixá-lo escapar fácil assim… — Parece cansado. Gostaria de algo para beber?

— Eu adoraria. — seu sorriso ampliou. — A senhorita me sugere algo?

— Que tal um champanhe?

Ele confirma com a cabeça e me segue atravessando o salão. Sim, eu deixei os outros rapazes que esperavam para me cumprimentar para trás boquiabertos e segui com ele para próximo de um garçom. Passamos um bom tempo conversando.

Monsieur Léon foi educado a noite inteira e quando estávamos prestes a nos despedir ele pronuncia:

— Obrigado pela adorável companhia, mademoiselle Deveux. — eu adorei o jeito que ele pronunciava meu sobrenome. — Ficaria muito grato e honrado se a senhorita me acompanhasse num passeio amanhã pela manhã.

Eu sorrio e faço uma breve reverência novamente, me despedindo.

— Mantê-lo-ei informado.

Ele, com certeza, seria um ótimo partido.

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